terça-feira, 5 de março de 2013



















No passado sábado, dia 2 de março, a nossa Associação comemorou o seu 21º aniversário.

A  principal iniciativa desta efeméride decorreu nas Instalações da Escola Básica 2/3 de Tortosendo, com um programa diversificado que constou de,  intervenções do presidente da direção da URPIT e entidades representantes de associações e  organismos convidados, houve animação musical pelo Grupo de Cantares do Espaço das Idades da freguesia de Stª Maria, “TANTOS E +UM” , que deliciaram, com os seus cantares populares, o enorme auditório que esteve presente, para culminar, a União de Reformados de Tortosendo ofereceu aos associados presentes e convidados um beberete convívio.

Estiveram presentes dirigentes associativos  que representaram Vários organismos:  LAT (Liga dos Amigos do Tortosendo), Centro de Apoio e Convívio da Terceira Idade de Tortosendo, Sport Tortosendo e Benfica, Núcleo Sportinguista do Tortosendo, Escola Básica 2/3 de Tortosendo, União de Sindicatos de Castelo Branco, Inter-Reformados Castelo Branco, Associação de Reformados da Covilhã, Espaço das Idades de Stª Maria. A Confederação Nacional de Reformados – MURPI – na impossibilidade de estar representada, enviou uma saudação,que foi lida no decorrer desta efeméride.

A União de Reformados, Pensionistas e Idosos da Freguesia de Tortosendo, agradece ao Conselho Directivo da Escola Básica 2/3 de Tortosendo a gentileza que teve na cedência das instalações para a concretização do programa e ao Espaço das Idades de Stª Maria, o contributo que deu, desinteressadamente, com a actuação   do Grupo TANTOS E +UM.

Ilustramos esta iniciativa com algumas fotos colhidas no decorrer da comemoração do 21º Aniversário.   

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Os silêncios...


Um dia bateram-me à porta e anunciaram-me que o governo tinha decidido cortar-me meio subsidio de Natal. Apesar de inconstitucional, compreendi o sacrifício que o Governo me pedia.

Noutro dia bateram à porta do meu pai e anunciaram-lhe que iam cortar meia pensão do Natal. Apesar de considerar que era um roubo, ainda admiti, porque o pais estava em estado de emergência.

Depois bateram-me à porta e anunciaram que me iam tirar dois meses de salário e dois meses de pensão ao meu pai. Depois da estupefacção resignação.

A 7 de Setembro, bateram-me à porta para me anunciar que tiravam 7% do salário para dar 5,75% ao patrão e ficavam com os trocos, em principio para os cofres da Segurança Social.

Desta vez fiquei indignado. Achei que estava a ser roubado e que estavam a transformar os patrões em receptadores do dinheiro roubado. Em reacção, corri para a rua para protestar.

Bateram-me mais uma vez à porta e informaram-me de que o ministro das finanças ia reescalonar as taxas de IRS, de modo a torna-lo mais progressivo.

Imaginando que iam poupar os rendimentos mais baixos e taxar fortemente os mais altos, pensei que o Governo, finalmente, voltava ao trilho da lei.

Mas para surpresa minha, voltaram a bater-me à porta para me ameaçarem com aumentos brutais no IMI. A minha indignação transformou-se em ira e juntei-me ao movimento nacional de resistentes ao pagamento do IMI.

Ainda mal refeito do choque do IMI, bateram-me novamente à porta para me mostrarem nos jornais, em grandes parangonas e cinco colunas, os novos escalões de IRS. Afinal aumentaram as taxas dos rendimentos mais baixos, menos os dos mais altos e não criaram nenhum escalão para os mais ricos. E a progressividade do rei dos impostos diminuiu. A minha raiva subiu de tom e resolvi não mais voltar a votar no PSD e estou preparado para qualquer acção revolucionária que apareça. Ao fim e ao cabo eu o meu pai e a minha família já não temos nada a perder.

J. Nunes de Almeida, Ericeira

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Pese embora a possibilidade de alguns poderem relevar algumas imprecisões do escrito, pesa muito mais a pública tomada de posição.

E na oportunidade poderá interessar recordar um dos motivos porque Brecht é citado em titulo; mas não apenas ele

- Maiakovski, poeta russo escreveu, no início do século XX :

Na primeira noite, eles se aproximam
e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem,
pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles,
entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua,
e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada,
já não podemos dizer nada.

Maiakovski (1893-1930)

- Depois Bertold Brecht escreveu:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht (1898-1956)

- Em 1933 Martin Niemöller criou o seguinte poema:

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram
meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar…

Martin Niemöller,(1892-1984)– símbolo da resistência aos nazistas.

- Em 2007 Cláudio Humberto presenteou-nos assim:

Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho…

Cláudio Humberto, em 09 Fevereiro de 2007

- Também Martin Luther King (1929.1968):

O que mais me preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem carácter, dos sem ética… o que mais me preocupa é o silêncio dos bons!.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Lutando contra a pobreza

Arroz de cordéis
Há uns anos, ficou célebre a receita de Filipa Vacondeus de um arroz com aroma de chouriço, em que o segredo consistia em cozinhar os cordéis dos enchidos para aproveitar o sabor.
Apesar de ainda não ter aparecido uma receita tão emblemática, nestes anos que já levamos de «entroikados» são milhares os conselhos para poupar e viver com pouco. Como os elogios à «alegria da pobreza» evocam demasiado os anos do fascismo, houve que modernizar o conceito. Agora usa-se low-cost não só para viagens de avião mas para lojas de comida, clínicas dentárias e cabeleireiros. As grandes cadeias de supermercados desdobram-se em conselhos cheios de responsabilidade social: distribuem receitas do mais saudável e baratinho que há, garantem que os «produtos básicos» não aumentam, explicam como alimentar uma família com um euro, até se atrevem a ensinar-nos que «a carne de hoje é o empadão de amanhã».
Programas e rubricas a ensinar a poupar ocupam horas de televisão: do copo para lavar os dentes de Isabel Jonet, aos minutos verdes da Quercus, passando pelos passatempos nos programas da tarde em que quem ganha vê as facturas em atraso pagas, vale tudo. As lojas de produtos em segunda mão e os sites de troca quase directa florescem. As reportagens sobre desempregadas de longa duração que sobrevivem a vender bijuteria ou doces através da internet repetem-se à exaustão. Os artigos a gabar as vantagens para a saúde de levar marmita para o trabalho são a versão moderna do elogio aos pobrezinhos mas honrados.
E no entanto, por mais torneiras que se feche e luzes que se apague, por mais cartões, talões e outras promoções que se use para ir às compras, por mais refeições que se substitua por sopa ou Nestum, por mais pechinchas que se descubra, a verdade é só uma e chama-se empobrecimento. Com mais de um milhão no desemprego, com os salários cortados e os impostos asfixiantes, com os aumentos escandalosos nos bens essenciais, não há milagres nem receitas mágicas que disfarcem que os meses têm mais dias que salário. E que os portugueses estão mais pobres.
É por isso que o que o País precisa é que os trabalhadores lutem e conquistem aumentos de salário, emprego com direitos, produção nacional. É esse o caminho do futuro.
 
Por: Margarida Botelho
 
in: Jornal Avante
 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

As pessoas querem Viver e não Sobreviver

                                                                      Anita Vilar


 


                 

O envelhecimento populacional é um triunfo. É o resultado do desenvolvimento das sociedades, uma vitória do ser humano sobre males adversos e também de políticas seguidas visando criar uma melhoria das condições de vida e de saúde das populações. Se, por
um lado é triunfo também é um problema, porque esse envelhecimento populacional é
, muitas vezes, visto como um problema por muitos dos governantes atuais. Para os idosos é um triunfo ou um problema se os anos ganhos a mais forem anos com qualidade de vida ou anos de sofrimento, de perdas, de incapacidades e de dependência.

Os idosos são objeto de um discurso ambíguo por par- te das instituições sociais e do Estado que ora os protege, ora os aponta como causadores dos males que afligem os sistemas públicos de saúde e de segurança social.

As pessoas desejam viver cada vez mais, desde que essa sobrevida aumentada lhes proporcione uma vida com boa qualidade.

Vida e Saúde o inseparáveis!

É intuitivamente óbvio que Vida e Saúde são inseparáveis. O que interessa à Saúde deve fazer parte de qualquer conceito de Qualidade de Vida. Isto, é funda- mental para os idosos. Ter Saúde é uma dimensão muito importante para a qualidade de vida dos idosos. Ter boa saúde é um fator determinante de boa qualidade de vida para os mais velhos.
A longevidade trouxe alterações nos padrões de saúde de todos os países, com aumento da cronicidade mudando, assim, o perfil de morbi-mortalidade. Nesta situação  de prevalência aumentada de dioenças crônicas, o principal objetivo dos procedimentos e políticas de saúde já não visa a cura, mas a manutenção de resultados dessas políticas e dos tratamentos que devem ser avaliados através de variáveis subjetivas, que incluam as perceções dos indivíduos em relação ao seu bem-estar.














































































































































































































A pobreza é um dos grandes fatores de risco para as pessoas idosas - as más condições económicas e de habitação, as reformas baixas, as dificuldades no acesso aos serviços e, em geral, o aumento das despesas em diversas áreas, particularmente na área da saúde, contribuem para as situações de vulnerabilidade e dependência destas pessoas.

Nas aldeias, a situação é, muitas vezes, mais dramática pelo isolamento social e geográfico, dificuldades de transporte e de acesso aos serviços.

Para podermos falar de uma boa qualidade de vida, tem de haver um nível material mínimo: a satisfação das necessidades mais elementares da vida humana. Alimentação, moradia, trabalho, educação, transporte, saúde, lazer, acesso a água potável, saneamento básico, respeito e dignidade são necessidades elementares. Para cada uma destas, há um nível minimamente aceitável. Abaixo dele, temos a exclusão social.

É verdade que, no nosso país, os idosos são, em geral, pessoas com possibilidades menores de uma vida com qualidade, devido não só à imagem social da velhice, vista como época de perdas, incapacidades, decrepitude, impotência, dependência, mas também, pela situação obletiva de reformas insuficientes, oportunidades negadas, enfim, de esclusão social. 

 
O acesso aos cuidados de Saúde está a tornar-se cada vez mais inacessível para os idosos devido aos aumentos das taxas moderadoras, das deslocações aos serviços, dos gastos com transportes e com medicamentos.

Os aumentos de preços de bens essenciais como água, gás, eletricidade e alimentação estão a degradar de forma acelerada a sua qualidade de vida, diminuindo a sua saúde e as suas resistências às doenças crónicas de
que padeçam
.

O ministro da Saúde já anunciou que vai haver cortes nas próteses, nos pacemakers, etc. facto que vai atingir, uma vez mais, os idosos, os idosos com deficiências e mesmo as deficiências próprias da idade.

A desumanidade cresce sem vergonha, mas todos os
idosos irão continuar a luta cada vez mais determinados e un
idos em torno do seu movimento que tem sabido sempre erguer a voz na defesa dos seus legítimos direitos.


Tirado do Jornal A Voz dos Reformados do MURPI

Por: Anita Vilar, Psiquiatra
 

 mano sobre males adversos e também de políticas seguidas visando criar uma melhoria das condições de vida e de saúde das populações. Se, por um lado é triunfo também é um problema, porque esse envelhecimento populacional é, muitas vezes, visto como um problema por muitos dos governantes atuais. Para os idosos é um triunfo ou um problema se os anos ganhos a mais forem anos com qualidade de vida ou anos de sofrimento, de perdas, de incapacidades e de dependência.

Os idosos são objeto de um discurso ambíguo por par- te das instituições sociais e do Estado que ora os protege, ora os aponta como causadores dos males que afligem os sistemas públicos de saúde e de segurança social.

As pessoas desejam viver cada vez mais, desde que essa sobrevida aumentada lhes proporcione uma vida com boa qualidade.

Vida e Saúde são inseparáveis!

É intuitivamente óbvio que Vida e Saúde são inseparáveis. O que interessa à Saúde deve fazer parte de qualquer conceito de Qualidade de Vida. Isto, é funda- mental para os idosos.
 Ter Saúde é uma dimensão muito importante para a qualidade de vida dos idosos. Ter boa saúde é um fator determinante de boa qualidade de vida para os mais velhos.
A longevidade trouxe alterações nos padrões de saúde de todos os países, com aumento da cronicidade mudando, assim, o perfil de morbi-mortalidade. Nesta situação de prevalência aumentada de doenças crônicas, o principal objetivo dos procedimentos e políticas de saúde já não visa a cura, mas a manutenção de uma boa qualidade de vida. Nos dias de hoje, os resultados dessas políticas e dos tratamentos devem ser
avaliados através de variáveis subjetivas, que incluam as perceções dos indivíduos em relação a seu bem-estar.


A pobreza é um dos grandes fatores de risco para as pessoas idosas - as más condições económicas e de habitação, as reformas baixas, as dificuldades no acesso aos serviços e, em geral, o aumento das despesas em diversas áreas, particularmente na área da saúde, contribuem para as situações de vulnerabilidade e dependência destas pessoas.

Nas aldeias, a situação é, muitas vezes, mais dramática pelo isolamento social e geográfico, dificuldades de transporte e de acesso aos serviços.

Para podermos falar de uma boa qualidade de vida, tem de haver um nível material mínimo: a satisfação das necessidades mais elementares da vida humana. Alimentação, moradia, trabalho, educação, transporte, saúde, lazer, acesso a água potável, saneamento básico, respeito e dignidade são necessidades elementares. Para cada uma destas, há um nível minimamente aceitável. Abaixo dele, temos a exclusão social.

É verdade que, no nosso país, os idosos são, em geral, pessoas com possibilidades menores de uma vida com qualidade, devido não só à imagem social da velhice, vista como época deperdas, incapacidades, decrepitude, impotência, dependência, mas, também,pela situação objetiva de reformas insuficientes, oportunidades negadas, enfim, de exclusão social.
O acesso aos cuidados de Saúde está a tornar-se cada vez mais ina cessível para os idosos devido aos aumentos das taxas moderadoras, das deslocações aos serviços, dos gastos com transportes e com medicamentos.
Os aumentos de preços de bens essenciais como água, gás, eletricidade e alimentação estão a degradar de forma acelerada a sua qualidade de vida, diminuindo a sua saúde e as suas resistências às doenças crónicas de que padeçam.

O ministro da Saúde



















domingo, 20 de janeiro de 2013

Para onde vão os nossos idosos? Acolhimento, sim; exclusão, não!

Vivemos tempos difíceis, marcado por uma cada vez maior individualidade, onde vive-se “cada um por si e Deus por todos”! É preocupante perceber que, por causa da dinâmica actual da vida contemporânea, nossos idosos acabam por viver excluídos das suas próprias famílias, restando-lhes tão-somente a pouco desejada solidão, seja em suas próprias casas ou nas instituições geriátricas. A convivência intergeracional, tão importante a todas as faixas etárias (do nascimento à velhice), acaba por ser desprezada e transforma-se em uma verdadeira utopia nos dias hodiernos. Lamentável, pois inúmeros benefícios perdem-se, empobrecendo a vida familiar, comunitária e em sociedade de uma forma geral. A troca de ideias, conhecimentos, experiências e vivências é fundamental para um crescimento e enriquecimento sócio-cultural dos seres humanos. Quanto mais individualizada a nossa existência, menos proveito tiramos das vicissitudes das tão importantes e enriquecedoras relações interpessoais. O ser humano, ser gregário por excelência, carece dos contactos, das relações e dos afectos, para uma existência plena e satisfatória. Entretanto, aos poucos tem se distanciado da proximidade interpessoal, seja pela máquina, pelo excesso de tarefas e compromissos, pelas grandes distâncias entre o local de trabalho e a residência, pela diminuição espacial dos imóveis residenciais, pelos conflitos conjugais e/ou familiares e pela cada vez menor tolerância das pessoas umas para com as outras. Triste cenário! Nas últimas décadas, temos excluído nossos idosos de vários espaços: do mercado de trabalho, da convivência familiar e da maior parte dos grupos sociais. Restam-lhes algumas poucas opções: o habitual café, algumas praças públicas, um reduzido número de universidades seniores, algumas esporádicas oportunidades de trabalhos voluntários em instituições de saúde, filantrópicas e/ou de solidariedade social Que possamos acolher melhor os nossos idosos em família, no mercado de trabalho e em todos os espaços que lhe sejam significativos! Afinal, tudo aquilo que temos hoje, inclusive os mais diferentes espaços sociais, culturais e comunitários, também foi construído pelos jovens de outrora – os idosos de hoje! Por:Arthur Moreira da Silva Neto

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

GREVE GERAL E VIOLÊNCIA DO GOVERNO

  Em Setembro, na manifestação do dia 15, parecia o céu aberto, com a saída espontânea de tanta gente que se juntou na Praça de Espanha, em Lisboa. Eram a indignação e o protesto. Foi também o "elogio" da liberdade inorgânica, indo-se ao extremo de alguns indigentes que por ali andavam dizerem mal de sindicatos e partidos... Pois, sim. Mas no final desse mês, no dia 29, a Praça do Comércio e muitas ruas de Lisboa encheram-se de gente organizada e com consciência interventiva que afirma nos locais de trabalho, nas zonas de residência, no desemprego e ao lado de milhares de trabalhadores que todos os dias vão e vêm de casa ou do quarto alugado para o trabalho. Trabalhadores que prestam atenção sofrida e revoltada ao que se passa e que lutam contra a destruição de direitos, da economia e da independência do País, levada a cabo por este Governo nefasto do PSD/CDS-PP. Não esquecem o papel principal do PS nos governos anteriores. Guterres e José nSócrates, antes e depois de Durão Barroso e Santana Lopes, foram primeiros- ministros da obediência cega aos patrões de neoliberais de pacotilha como são agora Passos Coelho, Gaspar e Miguel Relvas, entre outros "governantes" de opereta e de miséria ética e moral instalada. Perante o que aconteceu em 29 de Setembro e no crescendo de lutas, face a essa manifestação magnífica da função pública e à concentração em São Bento, no dia 31 de Outubro, o Governo, o Ministério da Administração Interna e os operadores das secretas e do silêncio repressor organizaram-se e construíram a oportunidade para darem um golpe superior, na vigilância e na actuação concertada que levam a cabo. No dia 31 de Outubro, até às 24 horas, as televisões não deram imagens da manifestação da função pública e da concentração em São Bento, no dia da votação inicial do Orçamento do Estado. Deram a violência dos petardos, de tentativas de enfrentamento de provocadores encartados contra a polícia. Essa foi a "experiência" já transmitida exaustivamente em directo pelas televisões, desde o cair da noite, como se tudo o mais não tivesse existido, a manifestação enorme, a intervenção de Arménio Carlos, a decisiva demonstração de força organizada que foi a concentração dessa tarde. Na preparação da greve geral de 14 de Novembro, a repressão nas empresas e a presença policial face aos piquetes de greve, comandada a altos níveis, já foi violenta e desmascarava o que aí viria. No dia 14, a manifestação foi extraordinária, com milhares de trabalhadores que vieram de todos os lados, sem transportes públicos, mas vieram para expressar, do Rossio a São Bento, a revolta e a força organizada que nos caracteriza. As televisões, nesse dia e no dia seguinte, pouco ou nada disseram da greve geral enorme, dos piquetes de greve, da força e do prestígio da CGTP, da postura da UGT, que viu ir à greve perto de trinta sindicatos que ainda tutela mas têm trabalhadores que não cedem como desejaria. Às cinco horas da tarde, a manifestação e as intervenções tinham acabado. Quem percebe de movimentações orquestradas em situações assim viu deslizarem os que tinham orientações para ocuparem a frente de provocação perante os polícias dispostos na escadaria e adjacências do Palácio de São Bento. Esses trabalhadores conscientes e organizados viram isso e tentaram influenciar aqueles que queriam ficar a assistir, na indignação e na raiva que, às vezes, até podem dar moldura humana ao que é perigoso e extremamente negativo para o trabalho e as lutas que hão-de vir. Parecia que "o patamar superior da revolução" era atirar pedras aos polícias... Que todos aproveitem o que foi visível e o que era invisível e hipócrita por parte do Governo e dos altos comandos da polícia e das secretas. Quase duas horas de pedradas, de petardos, de poucos provocadores e provocadoras que serviram para prejudicar e ocultar a força imensa da greve geral, o acontecimento maior desse dia. Havia polícias à paisana desesperados por não terem ordem para impedir os profissionais de arrancar e atirar pedras da calçada. Um a um, teriam sido identificados e a coisa acabaria ali. Mas isso não servia o passo superior da repressão que o Governo e o ministro da Administração Interna tinham ordens para praticar nesse dia. Quando a situação estava madura, um megafone deu um aviso mal ouvido, de cinco (!) minutos para todos se retirarem... Os experientes provocadores desapareceram quando a polícia entrou no largo e bateu sobretudo em gente que estava ali porque a raiva mal orientada e expectante não os deixava ir para casa. Houve feridos, prisões também em outras zonas da cidade, houve o espectáculo da arrancada da polícia pelo largo e ruas afins, repetido até à exaustão para isso mesmo, nas televisões, para meter medo e avisar que tudo passou a ser diferente, e caiu a máscara de Miguel Macedo e de comentadores e orientadores televisivos de serviço ao corte e à censura. Acabou a "boa vontade em democracia" do Governo e, sobretudo, a desatenção de quem tem de estar atento e consciente. Em qualquer situação, seja onde for, na empresa, na manifestação, na concentração e em todas as lutas, os trabalhadores e as trabalhadoras, os desempregados e as populações revoltadas são dignos de se revoltarem e têm todo o direito de o fazerem. Mas os provocadores "espontâneos" ou pagos serão para isolar determinadamente e para remeter aos diversos papéis que têm contratualizado com os patrões e o Governo, com os serviços secretos e seja quem for que lhes paga para prejudicarem lutas, greves locais e greves gerais e outras batalhas que hão-de crescer e virão a ser realizadas. Cá estarão os trabalhadores, os desempregados, os jovens e as mulheres, as populações revoltadas e lutadoras, os que estão organizados em sindicatos e forças políticas e sociais revolucionárias, para levarem a cabo as lutas necessárias e desmascararem os objectivos e a hipocrisia dos governantes, para isolarem os seus apaniguados de serviço nas ruas e na provocação profissionalizada que se tornou muito mais evidente e perigosa no dia da greve geral.
 
Modesto Navarro

domingo, 6 de janeiro de 2013

Reformado/Idoso:Ir para o Hospital é um (grande )risco.


O Texto abaixo transcrito, dá para meditar, não se pense que é uma "brincadeira" do autor.
O sonho de Pedro Passos Coelho

«"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.
Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.
Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.
O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca-vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.
O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sust entável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.
Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."»

José Vítor Malheiros

(no Público de 05 de Jan.2013)