IMPEDIDOS
DE FAZER URGENCIAS
Por: José Laço
Por: José Laço
A proibição resulta de uma circular normativa da ARS e o Cento Hospitalar Cova da Beira teve de contratar a uma empresa médicos tarefeiros "nem
sempre especializados em medicina geral e familiar"». O HOSPITAL Pêro da Covilhã está a enfrentar
dificuldades na elaboração de escalas
médicas depois de 26 clínicos gerais e médicos de Medicina Geral e
Familiar do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) Cova da Beira terem ficado legalmente
impedidos de assegurar urgências hospitalares.
A
proibição foi comunicada ao Centro Hospitalar Cova da Beira (CHCB)
no dia 8 de agosto através de uma
circular normativa emitida pela Administração Regional
de Saúde do Centro, dando conta que os médicos deixariam de ter enquadramento
legal (Decreto- Lei 266- D/20 12, de
31 de dezembro) para realizar trabalho nas urgências hospitalares
devendo, por isso, cessar funções em setembro. Diligências
feitas pelo
CHCB permitiram que os médicos permanecessem escalados até 1 de outubro.»
CHCB permitiram que os médicos permanecessem escalados até 1 de outubro.»
in Jornal do Fundão, 16
de Outubro de 2013 «Perante esta deliberação, o
CHCB teve de recorrer a uma empresa de prestação de serviços
médicos, tirada de uma lista da Administração Central de Serviços de Saúde,
e não lhe foi permitido escolher outras empresas, em
particular aquelas a que pertencem médicos de família que prestavam
serviço na urgência hospitalar ao longo dos últimos anos.
No
entanto, a Dra. Rosa Ballesteiros, Directora
Clínica do CHCB, que não se mostrou muito favorável
a esta decisão da Administração Regional de Saúde do Centro,
espera que esta situação possa voltar ao ponto de partida, sublinhando a "longa colaboração
que permitiu um ótimo atendimento a doentes em situação de urgência",
até porque, sublinha, "temos conhecimento
do interesse dos médicos em prosseguir a colaboração.
E tudo
isto vem a propósito dos cortes na despesa. Esta contratação traz vantagens
económicas para o Hospital mas não garante um atendimento especializado como se depreende das
palavras da Dra. Rosa Ballesteiros. E
com este decreto a saúde não melhora é o que nos leva a concluir
da decisão tomada.»
in Jornal do Fundão, 17 de Outubro de 2013
O país continua com
destino incerto
E
o que vimos observando, nesta longa caminhada
de 30 meses, é a ideia fixa deste governo, promover
lentamente a ruína do Estado Social, com
corte aqui, corte além, devagarinho, para não levantar brado,
até que surja o momento da extinção total.
Há
urna acentuada falta de sensibilização deste governo, o
não sentir os gritos abafados das classes mais desprotegidas, que
quase sempre não têm a refeição normal para
pôr na mesa. Esta indiferença, esta falta de afeição por
quem sofre, esta frieza, perante famílias que, tantas
vezes, têm como refeição pouco mais do que um naco de pão, é de espantar. E,
alheio a esta miséria extrema, não evita que esta classe, de reduzidíssimos recursos, seja
apanhada em igualdade de circunstâncias
na teia de impostos ou taxas que este governo vai lançando, como
seja o aumento da aplicação de taxas
sobre a água, a eletricidade, os transportes, o iva
sobre os produtos alimentares, aqui com outra agravante para a indústria
hoteleira, que se encontra à beira do encerramento
catastrófico de mais de um milhar de restaurantes por não
poderem suportar as despesas.
Estes impostos
aplicados na compra de produtos ou lançados nos recibos da água
ou da eletricidade não distinguem classes pois a taxa é igual para todos. E
aqui sente-se a classe mais dependente, que
vê os seus bolsos ficarem cada vez mais vazios e as
aflições a correrem como um frémito pelo corpo, deixando-lhe
a pergunta sussurrada: "E agora, como
vai ser?". As dores agudas de milhares de famílias, quando
chega a hora da refeição
e pouco há para pôr na mesa, não
o sente quem decreta, porque desconhece
ou finge ignorar este outro lado do país: o
país empobrecido, o país dependente, que, insolvente, se
socorre das instituições beneméritas, que estão sempre alerta para estas graves
situações.
Trata-se, pois, de
um governo que, desde que tomou posse, arvorou a bandeira da destruição do
Estado Social, fazendo constantes cortes na saúde, no ensino, na segurança
social, nas verbas destinadas ao tratamento de doentes, na congelação de
pensões e implantando taxas sobre produtos essenciais, um
grande peso na bolsa dos portugueses de mais parcos recursos e que se faz
sentir em muitos milhares de lares, que não têm uma alimentação capaz e se vêem
em dificuldade para adquirir os materiais escolares para os filhos. Reduz-se
o subsídio aos doentes com baixa médica, o mesmo sucedendo no subsídio de
desemprego.
Todos estes ataques
à bolsa dos portugueses estão a colocar os mais vulneráveis à beira de um ataque de
nervos, quando vêem a ameaça da fome a aproximar-se
da porta de entrada das suas casas.
E perante este
quadro arrasador o governo não desiste de despedir milhares de trabalhadores da
função pública, professores na sua maior parte, para obstar a uma diminuição de
despesas. E é sempre a classe mais vulnerável a pagar a crise: assim regem os
destinos deste país os governos que temos tido e que sempre tomam decisões apoiados
em muralhas fortes, o seu sustentáculo,
porque as mais fracas podem ruir e criar um cataclismo de repercussões
incalculáveis.
E o governo
corre porque o tempo pode faltar-lhe para concluir o projecto demolidor que
elaborou. E então é vê-lo a traçar planos penalizadores para o povo português,
sem se importar que o pão, tão lembrado pelas crianças, nem sempre já apareça na mesa dos
mais pobres, que são já muitos.
E os políticos que
decretam sabem que assim é. Sabem, portanto, quanto
custa o orçamento nas suas casas e, se fizerem um pequeno esforço de
raciocínio, para poderem avaliar as suas consequências, calculam
como devem viver muitos milhares de portugueses, quando regularmente nem o
valor de um ordenado mínimo entra em casa. Espantados? Mas é a realidade,
triste, dorida, amargurada, mas é assim que um terço da população vive, arrostando
dificuldades e suportando mágoas abafadas, para
que os filhos não percebam o estado de indigência que assolou a sua casa.
E os pais sofrem. Sim, sofrem, porque
é muito duro querer alimentar a família e não dispor de condições para o fazer. E
se algum pingo de sensibilidade corre nas veias dos políticos que nos governam, que
façam um exame de consciência sobre as leis que fazem aprovar no que concerne
ao trabalho e às pensões e imaginem-se
um mês com o vencimento desses trabalhadores e pensionistas, e
depois façam as contas, para verem para quantos dias chegam esses vencimentos nas suas
casas. Estupefactos? Sim, dava para poucos dias o que para os
trabalhadores e pensionistas tem de chegar para um mês. As grandes
desigualdades topam-se em todos os lugares da sociedade. E perduram. Até
quando?
Nota: por motivos
de saúde não
me foi possível, neste trimestre,
escrever o que
era habitual. Entretanto um Bom Natal para os todos os que me lêem e a quem perguntar por mim.
era habitual. Entretanto um Bom Natal para os todos os que me lêem e a quem perguntar por mim.
(21
de Dezembro de 2013)
Este artigo foi escrito pelo mão do meu pai, José Laço Pinto, já no hospital. O meu pai era assim: mesmo doente (tão doente) não descurava as suas tarefas e compromissos. Pediu-me que transcrevesse o artigo para o computador e que o enviasse para a L.A.T.. Ouço ainda a sua voz a pedir-me que pusesse em nota de rodapé, que por motivos de saúde não podia escrever o desejado...
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