quarta-feira, 29 de maio de 2013

APELO


                                                                                APELO

 
       O dia 25 de Abril de 1974 foi um dos mais luminosos da História de Portugal.

 A Revolução de Abril, ao pôr fim à ditadura fascista, abriu o caminho à participação dos cidadãos na vida pública, ao desenvolvimento económico,  social e cultural dizendo não ao oportunismo, à corrupção, aos interesses ilegítimos dos grupos financeiros e sim à justiça social, ao direito ao trabalho, ao emprego, à saúde, à educação, à habitação, à paz, a mais futuro.
Passadas quase quatro décadas, como resultado da prática de uma política contrária ao espirito de Abril, verificamos que muitos projectos de então ficaram pelo caminho, muitas 
esperanças foram defraudadas.
Portugal vive hoje o pior momento político, económico e social após o 25 de Abril, com o ataque às conquistas que ainda restam da Revolução dos Cravos.
Os portugueses são confrontados com uma austeridade suicidária geradora da continuada
desaceleração da economia, do exacerbar da pobreza, da mais alta taxa de desemprego, 
do aumento e generalização da precariedade, da quebra dos salários, já dos mais baixos
da União Europeia, da brutal redução das pensões dos reformados, duma despudorada e injusta carga fiscal, do ataque ao direito ao trabalho digno e ao Estado Social com a grave redução dos legítimos direitos na saúde, na segurança social, na educação e na justiça.

Com esta política, Portugal tem vindo a empobrecer e as desigualdades têm vindo a
aumentar exponencialmente.

Por isso, tão importante como evocar o passado, é reflectir sobre a situação presente e
perspetivar um amanhã.

 

Os portugueses querem a paz, a liberdade, e a democracia de Abril. Como nação soberana,  os portugueses querem uma existência digna, com escola e saúde públicas,
 com justiça acessível e independente, com habitação assegurada, com trabalho com
 direitos. Querem uma política social e económica e democrática, com os direitos e deveres  deveres consagrados na Constituição da República Portuguesa.

 
A mudança é, por isso, não apenas necessária, mas inadiável.

É urgente e indispensável uma política diferente que dê resposta aos graves prblemas 
 nacionais.

Temos de recuperar a esperança que a madrugada libertadora do 25 de Abril nos trouxe,
 retomando os seus principais valores.

Só possível com uma política que defenda o regime democrático, a Constituição de Abril e a própria Liberdade; que submeta o poder económico ao poder político; que edifique um Estado onde o trabalho, a solidariedade, a justiça e a cultura sejam pilares fundamentais; que coloque o desenvolvimento da economia ao serviço de quem trabalha e de quem trabalhou, das novas gerações e do futuro do País. Futuro que terá de dar resposta aos enormes problemas com que as novas gerações se debatem. O 25 de Abril que evocamos não pode defraudar as expectativas criadas. Não cabem nele o abandono e a fome nas crianças, o aumento do trabalho infantil, o afastamento escolar nos vários patamares por razões económicas, o desemprego e a precariedade galopantes que forçam particularmente os jovens à emigração.

 Os signatários deste apelo entendem que é possível inverter a actual situação.

Apelam portanto à participação de todos numa grande, forte e unida confraternização
comemorativa que será também o protesto e a exigência da mudança necessária, 
de um Povo que não se resigna e nunca se deixará vencer.

Estamos certos "venceremos o medo, prolongaremos Abril e construiremos o

futuro".
 
 
A Voz dos Reformados

 

 

 

 

 

 

 

 

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